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Do Conselho de Eventos da LiHS
Somos seres racionais, capazes de elaborar um sistema de aceitação e rejeição de proposições: o ceticismo.
Sua mãe é capaz de prever através de sonhos se você vai ter uma desinteria ao comer acarajé? Suas pílulas de açúcar e seus frascos de água agitada e diluída sobre mais água curam moléstias do corpo e da mente? Suas agulhas espetadas sobre pontos mágicos do corpo substituem a fisioterapia? Jura que os seres vivos foram fabricados na linha de montagem do pai celeste dos hebreus?
Você pode ser uma pessoa muito legal e acreditar sinceramente nisso tudo, mas para fazer um cético aceitar essas coisas vai ter que fazer melhor do que dizer que funcionou para a prima do filho da sogra do amante daquele seu amigo que me emprestou um real aquela vez.
Céticos gostam de seu conhecimento do jeito que nutricionistas gostam da comida: bem preparada, fresca, com ingredientes de boa procedência, e nutritiva na medida certa para garantir a continuidade da saúde. Desculpe, mas essa história de que seu amigo nerd consegue fazer um moto-perpétuo é o equivalente epistemológico de salada de maionese estragada: eu é que não vou engolir esse troço.
Mas (mas?) também somos seres sociais. Mais (menos?) que isso: somos primatas peludos, flatulentos e carentes, que adoram gastar seu tempo se divertindo das formas mais ineficientes e absurdas que a vã filosofia jamais imaginaria (conhece 9gag? Frisbee? Caça-níqueis? Badminton? Vídeos de gatinhos e cãezinhos no YouTube? …).
Razão e Diversão: por que não juntar as duas coisas? É para isso que acontecem, regularmente, mas à moda do andar do bêbado, em mais de 60 cidades no mundo todo, os eventos Skeptics in the Pub (SiTP). LEIA MAIS…
Autora: Natasha Avital*
Este post foi inspirado em recentes reações, tanto da mídia quanto do público, ao ocorrido na semana do dia 18/01 no programa Big Brother Brasil. Pra quem não acompanhou, aqui vai um resumão (bem resumido mesmo, porque este não é um post sobre o BBB; é um post sobre o machismo geral presente em qualquer discussão sobre estupro): durante uma noite na casa onde ficam os participantes do Big Brother Brasil, uma das câmeras captou uma situação suspeita, onde aparentemente um rapaz fazia movimentos que indicavam sexo junto a uma moça que parecia estar desacordada. Embora a casa seja vigiada durante 24 horas por câmeras, e embora a imagem captada obviamente tenha sido o suficiente para fazer com que não uma, mas várias pessoas (inclusive membros da polícia e do Ministério Público, que estão investigando o caso) tenham suspeitado fortemente da ocorrência de um crime, ninguém foi mandado para averiguar a situação e interromper o que poderia ser um crime em andamento (não posso comentar sobre o vídeo em si, já que a Globo passou o dia seguinte inteiro removendo as imagens da internet, além de ter cortado, durante horas, o som das imagens transmitidas para assinantes pelo sistema Pay-Per-View.)
O apresentador do programa chamou o ato de “caso de amor”. Daniel foi expulso, sob a genérica acusação de “comportamento inadequado”. Boninho, diretor do programa, declarou que “Não houve estupro, a lei brasileira é que é muito ampla [ao classificar como estupro de vulnerável a prática de ato libidinoso contra quem não pode oferecer resistência]” e que o que está sendo apurado é se houve “abuso”.
Bastou o caso vir a público para que começassem os ataques contra a suposta vítima: ela estava bêbada, ela havia “trocado carícias” anteriormente com o rapaz, ela seduziu Daniel, ela armou tudo para tirá-lo do programa (eita jeitinho trabalhoso esse de eliminar um concorrente hein? Com quem a moça aprendeu a elaborar esses “planos infalíveis”, o Cebolinha?) A cereja no bolo veio quando a Geisy Arruda declarou que Monique também deveria ser expulsa da casa, afinal “uma mulher sempre sabe quando um homem está mexendo nela” (Srta. Arruda, a senhora sabe que as pessoas tem padrões diferentes de sono e que algumas, principalmente após ingerirem bebida alcoólica, não são facilmente despertadas por toques ou ruídos, certo? Talvez não seja de seu conhecimento, mas algumas pessoas até mesmo morrem dormindo durante eventos como desabamentos ou incêndios. Também é de se perguntar se a senhorita acredita que a tendência machista de punir uma mulher por ser vítima de violência também deve se aplicar a estudantes que precisam de escolta policial para sair da faculdade devido a seu vestido curto, e são posteriormente expulsas do estabelecimento de ensino, ou se Vossa Senhoria só aprecia as qualidades da pimenta quando ela se encontra no olho alheio).
Autor: Leonardo Veloso Pin
Editor: Guilherme Balan
[confira também: Religiosidade no Neolítico - Parte 1]
Durante a constituição do modelo de cidade-Estado, que dominará o Mediterrâneo pelos próximos séculos [4000-3500 a.C em diante], veremos nascer criações fundamentais do ser humano. Apesar de constatar-se a domesticação de plantas selvagens do próprio local em regiões afastadas do Levante, as áreas ao redor do Crescente Fértil necessitavam do que era inicialmente produzido nessa área geográfica. A disseminação das culturas do sudoeste asiático “foi logo seguida pela de outras inovações que nasciam no Crescente Fértil ou perto dele, entre elas a roda, a escrita, técnicas de metalurgia, ordenha, árvores frutíferas e produção de vinho e cerveja.”1
Nas cidades-Estado hieráticas, o mundo sagrado das divindades era muito mais do que um ideal a se aspirar, mas, antes disso, um protótipo, um arquétipo da vida na terra. Os próprios deuses haviam ensinado as técnicas de construção das cidades aos homens e, por conta disso, concebia-se que tudo no mundo era uma réplica frágil de alguma contraparte divina, ou seja, as pessoas e objetos da realidade sagrada tinham suas imitações no mundo material2. Foi por volta do terceiro milênio AEC que surgiu “o profissional em tempo integral, iniciado e estritamente arregimentado, sacerdote de templo.”3
As cidades de Ur, de onde veio o Patriarca Abraão, Kish, Erech, Nipur, Shuruppak, Sipar e Lagash foram os palcos privilegiados dessa nova forma de se enxergar a realidade. Do alto das maravilhosas torres-templos chamadas zigurates os sacerdotes podiam admirar o cortejo das sete esferas eternas: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, a Lua e o poderoso Sol, os mensageiros da lei e ordem universais. O número sete torna-se objeto de especial reverência por conta das sete “estrelas” errantes das quais derivou a semana4. Toda a cidade é uma cópia na terra da ordem do Cosmos e, de acordo com a concepção matemática de inspiração astronômica que dava suporte a essa consonância mágica, o universo (macrocosmos) unia-se à comunidade (mesocosmos) e esta, por sua vez, ligava-se ao ser individual (microcosmos)5.
Fonte: SocialMente
Autor: André Rabelo
Nas grandes cidades, vivemos nossas vidas em meio a uma multidão de desconhecidos. Cruzamos todos os dias com estranhos que não conhecíamos e que, provavelmente, não vamos conhecer também. Nessa atmosfera, não é de se surpreender que a apatia pelo sofrimento alheio e a distribuição de grosserias tenham se tornado tão comuns e aceitáveis. Podemos até nos surpreender se um completo estranho emergir a partir da multidão nos oferecendo um ato de gentileza, sem pedir nada em troca.
Você não se surpreenderia se, ao chegar no caixa de um restaurante para pagar a sua conta, fosse informado de que uma pessoa gentilmente pagou a sua conta e não quis se identificar? Uma situação como esta pode parecer muito improvável, mas foi exatamente o que aconteceu em um restaurante na Filadélfia, em 2009, nos Estados Unidos [1]. O ato de gentileza inspirou, nas 5 horas seguintes, várias pessoas naquele restaurante a pagar a conta de outras mesas sem se importar com o valor da conta e de maneira anônima. Os trabalhadores do restaurante ficaram emocionados, pois nunca tinham visto algo tão solidário como aquilo acontecer. Como diz na reportagem da NBC10 Philadelphia: ”É uma história de feriado verdadeira que prova como um pequeno gesto de gentileza pode criar um pouco de magia.”
A gentileza é um tipo de ação espontânea e, muitas vezes, sutil, onde uma pessoa beneficia outra, seguindo normas implícitas de conduta. É um tipo de comportamento de baixo custo para quem o realiza, mas que pode beneficiar muito quem recebe. O vídeo abaixo demonstra vários exemplos de como a gentileza pode se manifestar no cotidiano.
Este vídeo é uma bela ilustração do que a gentileza é capaz de produzir no cotidiano das pessoas. Ela é contagiante. O vídeo (que encontrei no Treta) é uma produção do projeto Life Vest Inside (“Salva-Vidas Interno”), que busca promover a gentileza como uma maneira simples, mas poderosa e ativa, de melhorar o mundo. Uma parte da descrição do projeto merece ser traduzida aqui:
O trabalho de caridade e o serviço comunitário são ferramentas inestimáveis para melhorar o nosso mundo, mas a gentileza é mais do que boas ações ou voluntariado apenas. Gentileza é empatia, compaixão e conexão humana; é um sorriso, um toque ou uma palavra confortante. Mesmo o menor gesto pode clarear um dia escuro ou aliviar um fardo pesado.
Fonte: Eu Ateu (Yuri Grecco)
Veja também:
Autora: Camila Pavanelli
Fonte: Amalgama
Editora: Rayssa Gon

Uma das coisas que The Wire me ensinou sobre a guerra contra as drogas é que ela acaba com a polícia, impedindo-a de realizar as funções de proteger e servir que deveriam ser as suas. A guerra contra as drogas transforma policiais – que protegem uma comunidade – em soldados – que saem por aí fazendo batida e prendendo traficante pé-de-chinelo. E, é sempre bom lembrar, para que haja uma guerra, é preciso que haja um inimigo. Muito rapidamente, os cidadãos que o policial deveria proteger transformam-se em inimigos, e os bairros que deveria policiar transformam-se em território ocupado.
Além da guerra contra as drogas – que, particularmente na cidade de São Paulo, assume contornos específicos de guerra contra os dependentes químicos -, o estado de São Paulo vem sediando também guerras contra estudantes e contra manifestantes que usam o espaço público para advogar por uma causa qualquer. A recente guerra contra os moradores (que amanhã serão sem-teto) do Pinheirinho não foge a esta lógica de transformação da polícia em exército de ocupação. Há aí uma pequena diferença, porém, que vale a pena ser apontada.
Autor: Daniel Gontijo
Nós temos que evitar o erro de Otelo. Na peça de Shakespeare, Otelo acusa sua mulher, Desdêmona, de estar apaixonada por Cássio. Otelo exige que ela confesse, já que vai matá-la por sua traição. Desdêmona pede a Otelo para chamar Cássio, para atestar sua inocência. Otelo revela que já matou Cássio. Desdêmona percebe que não será capaz de provar sua inocência, e que Otelo vai matá-la (Ekman, 2003/2011, p. 74).
Por “temos que evitar o erro de Otelo”, Paul Ekman, psicólogo e autor de A Linguagem das Emoções, alerta-nos sobre o perigo em se deixar que o afeto guie inadvertidamente o que pensamos e fazemos. Após matar sua esposa, Otelo descobre que as supostas evidências de que estava sendo traído tinham sido forjadas por Iago, um subtenente invejoso e rancoroso. Cego pelo ciúme, o general foi incapaz de ouvir o que Desdêmona e Cássio tinham a dizer, e sua irracionalidade custou não duas, mas três vidas.
Se Otelo estava em péssimas condições para pensar e agir, Desdêmona estava em uma cilada: afinal, como provar que ela não estava apaixonada por Cássio e não o tinha como amante? Inevitavelmente, lembrei-me da posição desajeitada em que se encontram alguns ateus: como provar que Deus não existe? O filósofo Bertrand Russell (1952) criou uma analogia curiosa para solucionar o dilema. Entretanto, parece que o bule de chá voador não é quente o bastante para competir com o fervor das crenças religiosas. Antes de sugerir o porquê, pedirei licença a William Shakespeare para recriar um trecho da trágica história de Otelo. Conseguiria o general rever suas convicções?
Autor: Camilo Gomes Jr.
Também publicado em: Ontogenia Literária
Uma pergunta: quantos romances, contos ou poesias escritos por autores negros você leu, digamos, nos últimos cinco anos? Destes, quantos eram de autores brasileiros?
Entenda. Vivemos num país onde cerca de 7% da população é declaradamente negra e mais de 42% se declaram pardos (leia-se mulatos e cafuzos — cuja linha ancestral apresenta mescla de africanos com europeus ou indígenas —, além de outras combinações como negros, índios e brancos, ou negros e orientais; por fim, também se incluem nesse grupo os caboclos — que não têm vínculo de ancestralidade com africanos). Podemos estimar que um percentual entre 30% e 40% da população deste país de dimensão continental se constitua de negros ou pessoas que têm alguma relação de ancestralidade com africanos. Estamos falando de dezenas de milhões de pessoas. Dezenas de milhões! No entanto, quando olhamos para nossa produção literária, uma coisa chama a atenção: cadê os autores afro-brasileiros? Quantos você conhece? Quantas de suas obras você já leu? De quantas gostou? LEIA MAIS…
Fonte: Uma Visão do Mundo
Autor: Eduardo Patriota Gusmão Soares

Eu não gosto da religião organizada. Ainda que traga alguns benefícios, a balança da história pesa contra sua existência. Milhões pereceram em guerras religiosas ou que, entre outras coisas, tinham a religião como um dos componentes da discórdia entre dois ou mais grupos. Além disso, tem ainda o uso político que clérigos fazem da religião, nem sempre em prol de coisas construtivas.
Ainda assim, eu seria o primeiro a defender o direito de uma pessoa de praticar sua fé (desde que num âmbito privado). Se a pessoa quer orar para seu deus, que o faça em paz e na certeza de que ninguém lhe prejudicará por isso. Para sintetizar este pensamento, cito o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos que estabelece:
“Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.”
É importante frisar: as pessoas podem sim manifestar sua religião. Elas podem viver de acordo com os preceitos que julgam corretos. Se as mulheres decidem deixar o cabelo crescer e passam a usar saias na altura do joelho, ou se cobrem o corpo inteiro com uma burka, ou se os homens se abstém de sexo antes do casamento ou de carne de porco, não importa: as pessoas devem podem viver à sua maneira, desde que observados os direitos do próximo.
Mas alguns religiosos parecem não se conformar com o fato do vizinho venerar outro deus. Pior: há aqueles que não admitem que seu deus seja adorado de uma forma diferente, “herética”, àquela que a pessoa julga ser a correta. Este tipo de intolerância religiosa está acontecendo em diversos lugares do mundo neste momento, mas na Nigéria ganha contornos de guerra civil.
Fonte: Psychology Today
Autor: Nathan Heflick
Tradutor: André Rabelo
Muitas pessoas que se opõem ao casamento gay argumentam que crianças criadas por pais gays são na maioria das vezes incapazes de criar crianças normais. Bem, talvez estas pessoas estejam certas. Baseado no vídeo linkado aqui, estas crianças seriam mais como crianças extraordinárias.
Parece horrível que crianças se tornem em adultos como ele, não é mesmo?
Evidências anedóticas a parte, pesquisas corroboram a afirmação de que crianças criadas por lésbicas são, em média, mais felizes e menos violentas do que crianças criadas por casais de sexo misto. Também existem evidências de que o abuso físico contra crianças é menor (praticamente inexistente) em relacionamentos lésbicos.
Parece, portanto, que pelo menos em termos de mães lésbicas, as pesquisas sugerem que crianças criadas por pais homossexuais passam bem.
Mais pesquisas são necessárias para testar o porque estas crianças são, em muitos casos, mais pacíficas e felizes.
Fonte: BBC Brasil
Autor: Jason Palmer, da BBC News
Editor: André Rabelo

A maioria dos países da América Latina tem leis restritivas ao aborto, apesar das altas taxas da região
Um estudo publicado na revista médica The Lancet contraria o argumento de que leis severas contra o aborto reduzem a disseminação da prática.
Analisando dados de 1995 a 2008, o levantamento do instituto americano Guttmacher mostra que as mais altas taxas de abortos estão justamente em regiões com legislação restritiva.
Na América Latina, que tem relativamente o mais alto número de abortos em todo o mundo, a maioria dos países proíbe a prática, apontou o estudo, Aborto Induzido: Incidência e Tendências Globais.
Em 2008, uma média de 32 entre mil mulheres (entre 15 e 44 anos) fizeram aborto na região. No mesmo ano, a taxa da África foi de 29 mulheres.
Em contrapartida, na Europa Ocidental – onde a legislação é mais permissiva -, esse número caiu para 12.
Fonte: Fronteiras da Ciência

Capítulo 1: o caso Sokal
Capítulo 2: relativismo e pós-modernismo
Capítulo 3: Susan Haack
Autora: Pam Louwagie
Fontes: UNO Gateway e Star Tribune
Introdução: Guilherme Balan
O caso recente no BBB, comentado aqui mesmo no Bule e no Brasil todo, vai continuar sendo o assunto da vez provavelmente por mais tempo do que nossa paciência vai aguentar. Pior, provavelmente sem novidades. Nesse momento todos já têm uma idéia ou opinião própria de o que aconteceu naquela cama – e quem ainda não entendeu o que configura um estupro vai precisar de mais que palavras de desconhecidos. Porém, independente do que tenha acontecido nesse caso específico, tenho uma sugestão de como tornar nossas próximas conversas sobre o caso BBB produtivas. Ainda, como usar o ímpeto (e quem sabe frustração) que está em todos nós para o bem de quem está ao nosso redor. Quem me deu essa idéia foi um texto do blog Não Precisa Gritar, que eu divido com vocês no original:
Como o assunto já foi muito bem esmiuçado pelo Blogueiras Feministas eu não vou me delongar, só vou sugerir uma coisa: converse com as pessoas próximas sobre o assunto. Explique ao seu filho, marido, irmão, amigos (e pras mulheres também) que o estupro é, na maioria dos casos, um abuso cometido por um homem contra uma mulher. Diga a todos que condenar moralmente a vítima do estupro é igual a condenar uma pessoa que foi espancada porque é homossexual. Que é tão lógico quanto dizer que alguém merecia ser assaltado, já que tinha uma carteira no bolso. Ensine que ninguém, homem ou mulher, deveria ou poderia ser estuprado.
Nós somos pessoas que reconhecem a cultura de tolerância à violência sexual que infelizmente está à nossa volta, mas outras pessoas que convivem com a gente – parentes, amigos, filhos – podem não estar tão ciente de como a violência sexual acontece e como ela os prejudica. Diga a eles também que, quando falamos em educação, devemos pensar não só em ensino formal, mas também em lições que nós mesmos passamos e uns ao outros e atitudes que cobramos uns dos outros.
Para tentar demonstrar que esse tipo de atitude funciona, traduzi esse artigo de 2009 sobre ações de conscientização nas faculdades estaduais do Minnesota. Os resultados são surpreendentes e as experiências dão um ótimo exemplo de como abordar esses assuntos. Portanto, para os sem esperança, trago a mensagem de que mudança cultural acontece sim, comprovadamente e bem mais rápido do que imaginamos. Espero que vocês gostem.
A licença abaixo vale para os textos originais do Bule Voador.

A obra Bule Voador de Liga Humanista Secular do Brasil foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Brasil.
Com base na obra disponível em bulevoador.haaan.com.
Podem estar disponíveis permissões adicionais ao âmbito desta licença em http://ligahumanista.org.
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