Ânimos se acirram na república teocrática do Irã

Conflito nas ruas de Teerã, foto de dezembro último

Autor: Eli Vieira

Acabo de receber, nesta manhã (4h pelo horário de Brasília), um e-mail de um físico iraniano sobre a situação atual no Irã. A também iraniana Maryam Namazie, sócia emérita da LiHS, havia previsto  em entrevista ao Bule Voador que o clima político por lá continuaria de revolução popular. Pelo teor do email que recebi deste amigo iraniano, que manterei no anonimato para a segurança dele, Maryam está certa:

“Agora no Irã nós sofremos com a velocidade muito baixa da internet.
Muitos sites forem bloqueados pelo governo. O Gmail também está bloqueado.
Eu envio este email através de um site que quebra o bloqueio.
O governo está tentando fechar as universidades.
Nós estudantes vemos constantemente o sistema de aquecimento dos dormitórios ser cortado por ordem do governo para nos obrigar a sair das universidades. Nós vamos destruir a república ISLÂMICA. Queremos um governo secular.”


A CNN noticiou nesta manhã que o chefe de polícia do Irã avisou que conterá duramente qualquer reunião “ilegal” de pessoas durante o aniversário da ‘revolução’ islâmica de 1979 que instalou o estado teocrático.

Ismail Ahmadi Moghaddam disse a uma agência semi-oficial de notícias que é “natural” que as forças de segurança ajam se a “moral sagrada” for insultada sob o “pretexto” de crítica e protesto, e mencionou que podem monitorar mensagens de texto e e-mail.

Dois líderes da oposição chamaram a população para tomar as ruas e protestar por seus direitos de cidadãos na próxima quinta-feira, dia do aniversário do regime.

A reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, que Maryam Namazie disse ao Bule não ter sido uma eleição por critério algum, aconteceu em junho do ano passado. O governo nega as acusações de fraude.

Até agora, segundo a CNN, cerca de 4000 pessoas foram presas desde que os protestos começaram após a reeleição.

Na semana passada, como lembraram Maryam Namazie e a CNN, as autoridades iranianas enforcaram Mohammed Reza Ali Zamani, de 37 anos, e Arash Rahmanipour, de 20 anos, que foram condenados por serem “inimigos de Deus” e por conspirar contra o regime muçulmano.

O advogado do mais jovem diz que ele foi preso dois meses antes da eleição.

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3 Comentários

Santana7 fevereiro 2010 às 08:29

Ótimo exemplo a apresentar às pessoas ‘daqui’ que acham que estado e religião devem se unir. Elas só pensam assim porque elas pertencem à tal religião que querem no poder, e não à outra religião que não pertenceria ao regime e seria oprimida.

“Nós vamos destruir a república ISLÂMICA. Queremos um governo secular.”

Pensamento semelhante sempre me passa pela cabeça ao ver políticos evangélicos cada vez mais sendo eleitos e tomando decisões de poder baseadas em premissas bíblicas.
A ilusão de algumas pessoas as faz esquecer que mesmo acreditando que Deus vá lhes proteger, ainda assim são mortais e obedecem às leis da natureza, e nós temos este potencial para entender muito mais de física e química que eles.

ATEÍSTA Pedro Paulo Netto7 fevereiro 2010 às 14:29

“Nós vamos destruir a república ISLÂMICA. Queremos um governo secular.”
Adoto como Logo sem hesitar até o dia de minha morte porque as coisas não são diferentes aqui, são apenas encobertas pelo “manto da democracia” e pelo”ecumenismo”.
Que estes consigam sua Revolução e a Disseminem pelo Mundo, como forma de Resistência.

afsturtdasilva@yahoo.com.br7 fevereiro 2010 às 15:46

É bom não confudir estado laico com estado mericano..