Rambo versus Rainbow
Autor: Marcelo Druyan (*)
O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para ocupar uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar, causou polêmica na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Ele declarou que há incompatibilidade entre homossexualidade e atividade militar.
Cerqueira Filho e o almirante Álvaro Luiz Pinto, também indicado a uma vaga no STM, participavam de uma audiência na CCJ, quando foram questionados pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e Eduardo Suplicy (PT-SP).
Demóstenes perguntou: “Vossas excelências são favoráveis ao ingresso de homossexuais em qualquer das forças e acham que essa polêmica tem razão de ser?”
Já Suplicy quis saber se os dois militares defendiam a exclusão de homossexuais das Forças Armadas.
O general Cerqueira Filho disse que responderia “de uma maneira sincera” e disparou:
“Não é que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto, a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, tipos de atividades que, inclusive em combate, pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo”.
Esse papo já tá qualquer coisa …
Cerqueira Filho apela para a desgastada divisão sexual do trabalho, que, em outros tempos, também penalizou as mulheres.
Atualmente, apesar de existirem mulheres no exército, as regras são diferenciadas. Elas só podem servir como militares de carreira ou temporárias.
Para seguir carreira, os pré-requisitos vão do ensino fundamental – para sargento – a curso superior completo – para oficiais. As mulheres têm que prestar concurso público, de nível nacional. Se aprovadas, ainda enfrentam os cursos de formação: Escola de Administração do Exército, Instituto Militar de Engenharia ou Escola de Saúde do Exército.
Uma internauta se queixa que: “Sou PM e tentei exército por duas vezes, mas o concurso é muito difícil [...] No exército não é diferente, mas deveriam abrir mais vagas para mulheres e facultar seu alistamento nas forças armadas”.
Coturno na jaca
As declarações de Cerqueira Filho brilham como estrelas em um galão: “A maior parte dos exércitos do mundo não admite (homossexuais)”.
“Tem sido provado mais de uma vez, o indivíduo não consegue comandar. O comando, principalmente em combate, tem uma série de atributos, e um deles é esse aí. O soldado, a tropa, fatalmente não vai obedecer. Está sendo provado, na Guerra do Vietnã, tem vários casos exemplificados, que a tropa não obedece normalmente indivíduos desse tipo”.
“Não é que o indivíduo seja um criminoso. Não sou contra o indivíduo ser (gay), cada um toma sua decisão. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar”.
Bofe de Elite
Embora não tenha revelado a que outro ramo de atividade se referiu, talvez o general tenha em mente uma tropa ao estilo daquele programa humorístico (?), que, numa paródia ao filme Tropa de Elite, apresentava um batalhão caricato, com o velho e preconceituoso estereótipo da bicha-louca.
Titanic
Já o almirante Luiz Pinto disse que não via problema, desde que o militar mantivesse “sua dignidade”.
“É uma situação muito polêmica, mas eu vou lembrar um fato que aconteceu alguns anos atrás, na França, não nas Forças Armadas, mas na Igreja, em que foi feita a mesma pergunta.
O teólogo pensou, pensou, pensou e respondeu: Não tenho nada contra, desde que ele faça uso do voto da castidade, que é um dogma da Igreja.
Eu acho que fazendo uma similaridade com as Forças Armadas, eu não tenho nada contra desde que ele [o militar homossexual] mantenha sua dignidade, a dignidade da farda, do cargo e do trabalho que executa. Se ele exercer sua dignidade, sem nenhum problema.”
Entrei de gaiato no navio …
Embora também não tenha revelado como o militar homoafetivo deve manter a dignidade da farda (SIC), ele revela, nas entrelinhas, um preconceito de grumete: homossexuais são destituídos de sentimentos e obcedos por sexo! O almirante escorregou no convés!
Reações
A Ordem dos Advogados do Brasil repudiou as declarações. O presidente nacional, Ophir Cavalcante, rechaçou as afirmações de Nonato: “É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras”.
Em nota da OAB, Cavalcante defendeu que “a defesa do País tem de ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um”.
Os dois militares, indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ministros do STM, tiveram seus nomes aprovados pelos senadores da CCJ, mas ainda precisam passar pelo Plenário.
Suplicy e outros 21 senadores pediram o adiamento da votação, até que Cerqueira Filho e Álvaro Luiz garantam que não irão contrariar a Constituição, que repudia qualquer tipo de discriminação.
Márcio Marins, ativista em direitos humanos e presidente da organização não governamental Dom da Terra, declarou que o general “perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado”.
O grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) também criticou as declarações do general. A presidente da ONG, Gilza Rodrigues, classificou a declaração como “estapafúrdia” e disse que a atitude do militar revela que exército brasileiro ainda é conservador.
Homofobia explícita
O general de reserva Gilberto Figueiredo, presidente do Clube Militar – organização sediada no Rio e reconhecida como porta-voz não oficial do alto escalão das Forças Armadas – manifestou apoio à declaração do general Cerqueira Filho:
Segundo Fiqueiredo, o desempenho das atividades por um militar homossexual é “difícil de ser respeitado”.
“Entre nós (militares) ainda é tema de chacota [o homossexualismo], de piada, de brincadeira. Uma pessoa que se sujeita a essa resistência toda fica difícil de ser respeitada, de ser entendida.”
O general Figueiredo, na reserva há sete anos, disse que conheceu diversos casos de homossexualismo quando estava na ativa e disse que alguns militares chegaram a ser afastados porque assediaram (SIC) sexualmente outros soldados.
“Talvez esses casos passados de assédio que aconteceram, marcaram essa resistência do militar em admitir esses casos. Tem que ser discutido sim, tem que ter um estudo sério. Mas a minha opinião é que no dia de hoje, dentro do contexto cultural das Forças Armadas, isso não dá certo”.
Na própria farda
Renato Agostinho, 30 anos, serviu quatro anos e meio na Base Aérea de Florianópolis, em Santa Catarina. Ele sentiu o preconceito na própria farda.
“Você não consegue evoluir na patente. Mandam para bem longe, não sai nenhuma promoção até que você desiste da carreira”.
Renato também criticou as declarações de Cerqueira Filho: “É lamentável. Ainda mais nesse contexto em que a sociedade está discutindo e tratando com mais naturalidade. Como que alguém que vai ocupar um cargo público fala uma coisa dessas?”
E disparou: “Ainda é um tabu. Sofri perseguição, discriminação… Em contrapartida, dentro da própria organização, o que mais tem são homossexuais, inclusive na alta patente”.
Hair
Em 1979, Milos Forman dirigiu o filme musical Hair, baseado na famosa peça homônima da Broadway. O diretor não deixou pedra sobre pedra e expôs – por meio de um grupo de hippies - as hipocrisias da sociedade norte-americana.
Uma das cenas mais engraçadas trata, justamente, da homossexualidade no exército.
Em tempos de general Cerqueira, vale a pena ver de novo!
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(*) Com agências de noticias
Links externos relacionados:
EUA vão rever política sobre homossexuais no Exército
Guerra do Iraque redefine o papel da mulher no exército americano
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O assunto é sério, e complexo. Mas depois desse vídeo sou obrigado a comentar:
HAHAHHAHAHHAHHAHAHAHHAHA
Genial. Nada como sarcasmo e bom humor para lidar com o preconceito. É sempre sensacional observar a reação de pessoas preconceituosas nesse tipo de sátira.
“Ele declarou que há incompatibilidade entre homossexualidade e a atividade militar.”
Realmente há, os Homossexuais Não Torturariam seus Cidadãos em “nome da liberdade” e Não iriam lutar numa guerra inútil como a do Iraque.
Mais ainda teriam a Dignidade de assumir que são falhos e que erraram.
A “caserna” pode continuar subsistindo como estes analfabetos ignorantes imbecis homofóbicos, porque os Homossexuais tem capacidade para governar esta Nação ao invés de envergonhá-la.
Falando em intolerância… Aqui temos um excelente exemplo.
Eu nem sabia que o Brasil participa da Guerra do Iraque…
Imagino o quanto esse cidadão realmente conhece das forças armadas. uma coisa é ser contra o preconceito, outra bem diferente, é CRIAR UM NOVO PRECONCEITO.
Ateus como você, Pedro Netto, me envergonham.
Pedro
A imagem que você passa é outro estereótipo. Por que homossexuais não torturariam seus inimigos ou deixariam de lutar em uma guerra? Há algo intrinseco, que torne o homossexual mais tolerante, pacífico e sensível que os heterossexuais?
Desde 1993, o exército americano expulsou mais de 13 mil soldados, porque disseram ser homossexuais ou foram denunciados. O que você acha que estavam fazendo lá? Atirando flores no inimigo? O que você acha que pretendiam? Assediar soldados sarados?
Desculpe amigo, mas você está com uma visão equivocada da homossexualidade. Orientação sexual, senso crítico, inteligência e sensibilidade não andam – necesariamente de mãos dadas. Nao haverá aí um preconceito, às avessas?
Victor Hugo
Pelo visto, de acordo com o infeliz comentário do Gal Cerqueira, eu não poderia atuar como técnica em mineração pelo simples fato de ser mulher, já que essa é uma atividade que “se reveste de determinadas características que (…)pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo”. Ou ainda, não poderia lutar boxe pelos mesmos motivos (motivos?).
É um caso delicado, que merece sim, ser discutido e combatido, como tantos outros absurdos que observamos em relação ao preconceito no trabalho.
[...] This post was mentioned on Twitter by catupiry, Helvécio Dias and BuleVoador – LiHS, Guilherme Roesler. Guilherme Roesler said: RT @BuleVoador: Rambo versus Rainbow http://bit.ly/9ZVyJW [...]
Homossexuais são falhos, tanto quanto os heterossexuais. Mas também podem defender a pátria como qualquer um. Conheci um homossexual que serviu ao exército. Mas desejava prestar concurso para a Polícia Militar local. Mas acho difícil ele ser aprovado devido a investigação social.
O mais engraçado é que o Gal Cerqueira Filho justifica o preconceito dele com uma ameaça de os homossexuais sofrerem mais preconceito ainda dentro do exército. Circularidade é bom para manter o atraso, né general?
“Imagino o quanto esse cidadão realmente conhece das forças armadas. uma coisa é ser contra o preconceito, outra bem diferente, é CRIAR UM NOVO PRECONCEITO.
Ateus como você, Pedro Netto, me envergonham.
É mesmo Erik? Então vejo que você não acredita que nossas “estimadas forças armadas” Torturaram e Mataram grande parte de nossa população que discordava destes durante 20 anos e até hoje Negam categoricamente que fizeram tal coisa.
Se é Preconceito Não Negar a História e dizer que estes São Assassinos e Torturadores Treinados que Sabem e Gostam do que fazem então eu sou e ao contrári de você Não me sinto envergonhado que exista, porque você é parte integrante da maioria da população brasileira, Autoritária até a medula.
“Desculpe amigo, mas você está com uma visão equivocada da homossexualidade. Orientação sexual, senso crítico, inteligência e sensibilidade não andam – necesariamente de mãos dadas. Nao haverá aí um preconceito, às avessas?”Victor Hugo.
NÃO , desculpe pelo erro entre as Guerras Mas um Indivíduo capaz de atravessar a vala comum do Sexismo, Machismo e Mediocridade deste País e de tantos outros e se assumir Homossexual literalmente transgrediu o senso comum e portante tem capacidade suficiente para Recusar uma ordem equivocada baseada no Medo e no Desespero de comandantes insanos.
Recomendo que veja: Glória Feito de Sangue, Nascido Para Matar, Ardil-22, Cruz de Ferro, Apocalipse Now e muitos outros que caracterizam exatamente o que é a Guerra.
Aliás, veja “Guerra contra o Terror” e verá bem o que esta se tornou.
Pedro
Você escreveu: “um Indivíduo capaz de atravessar a vala comum do Sexismo, Machismo e Mediocridade deste País e de tantos outros e se assumir Homossexual literalmente transgrediu o senso comum e portante tem capacidade suficiente para Recusar uma ordem equivocada baseada no Medo e no Desespero de comandantes insanos”.
Não tenho dúvidas de que assumir a condição de homoafetivo exige coragem. Mas isso não nos autoriza a dizer que, como num passe de mágica, a pessoa também adquire outros atributos.
Recusar-se a participar de uma guerra insana exige um senso crítico que não está, necessariamente, relacionado à condição homoafetiva.
A realidade está novamente contra você. Não existem estatísitcas que apontem homoafetivos expulsos do exército por descumprirem ordens. Não foi estabelecida uma relação entre uma coisa e outra. E esta ausência é significativa, dentro de um ambiente claramente homofóbico.
Ao contrário, o general Cerqueira cita que na guerra do Vietnã, soldados [heterossexuais] recusavam-se a obedecer ordens de oficiais homoafetivos. E que ordens seriam estas? Beijar o inimigo?
Sei que sua intenção foi boa mas, com todo respeito, seu argumento não se sustenta.
Victor Hugo
“Então vejo que você não acredita que nossas “estimadas forças armadas” Torturaram e Mataram grande parte de nossa população que discordava destes durante 20 anos e até hoje Negam categoricamente que fizeram tal coisa.”
Onde você leu que eu acredito nas forças armadas? onde você leu que eu concordo com tortura, ditadura, e outras táticas como essas?
O mais impressionante, é que para um ateu, que defende que os ateus são mais esclarecidos, você é tão alienado, que simplesmente não compreendeu meu comentário, ou então é tão obcecado pelas próprias idéias, que se recusa a ouvir uma crítica. De qualquer forma, minha vergonha alheia permanece.
“Se é Preconceito Não Negar a História e dizer que estes São Assassinos e Torturadores Treinados que Sabem e Gostam do que fazem então eu sou e ao contrári de você Não me sinto envergonhado que exista, porque você é parte integrante da maioria da população brasileira, Autoritária até a medula.”
Onde EU neguei a história? Desafio você a provar sua declaração! Preconceito é EXATAMENTE ISSO QUE VOCÊ FEZ AGORA!!! Quem não concorda com você, é autoritário. Excelente demonstração de discernimento.
O triste, é que vejo muitos teístas utilizando ateus fundamentalistas como você, para justificar o preconceito deles. Meus parabéns, você presta um grande DESSERVIÇO AO ATEÍSMO, e ao DISCERNIMENTO.
Não concordo com o Pedro. Existem homos bons e homos maus, assim como heteros bons e heteros maus.
eu conheço um gay que é mais forte que eu.
sera q o exercito deveria deixar de admitir nerds no exercito tbem??
aushuhaush
nao ha nada em um homossexual que o desqualifique para ser um soldado,nem mulheres,
STJ reconhece direito de homosexuais em previdencia privada. http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201002092302_ABR_78742300
“Recusar-se a participar de uma guerra insana exige um senso crítico que não está, necessariamente, relacionado à condição homoafetiva.”
Não Vitor Hugo mas é um fato de que um indivíduo que sofre na carne o preconceito irracional de idiotas que se acham melhores por serem heterossexuais possui mais senso critíco e dignidade do que os possuidores da “condição heteroafetiva”
“Onde você leu que eu acredito nas forças armadas? onde você leu que eu concordo com tortura, ditadura, e outras táticas como essas?”
Na sua primeira postagem:”Imagino o quanto esse cidadão realmente conhece das forças armadas.”
e prosseguiu:”"Ateus” como você, Pedro Netto, me envergonham.”e continuou “Quem não concorda com você, é autoritário.”
Estas foram sua palavras Erik
Quem presta um “desserviço ao ateísmo”? Eu ou você? Porque não estou aqui para ofender os outros mas não estou aqui para ser ofendido simplesmente por ser a minoria entre vocês, especialmente.
“idiotas que se acham melhores por serem heterossexuais possui mais senso critíco e dignidade do que os possuidores da “condição heteroafetiva”
Não costumo participar das discussões, mas parece que agora o Pedro Paulo Netto entregou de bandeja todo o preconceito dele.
Quer dizer, que por ser heteroafetivo, eu tenho MENOS senso crítico e dignidade que um homossexual…
PARABÉNS!!! EXCELENTE EXEMPLO DE TOLERÂNCIA!
Como disse o Erik… Ateus como você, ME ENVERGONHAM!